Vamos conversar sobre SORORIDADE?

sororidade

O movimento feminista traz a básica ideia de equidade política, social e econômica entre os gêneros. Dentro dele, há vários termos usados pelas militantes para disseminar alguns conceitos. Dentre ele, a sororidade. A palavra é bonita, e seu significado mais ainda! Quando escrita no Word aparece com um tracejado vermelho embaixo, por ser um termo utilizado há pouco tempo.

É fato que vivemos em uma sociedade patriarcal. E para os que insistem em discutir, os índices acusam:

  • Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, o rendimento médio mensal das mulheres é 27,1% menor do que o dos homens.
  • Entre 1980 e 2010, segundo o Mapa da Violência 2012, produzido pela FLACSO, foram assassinadas no país mais de 92 mil mulheres, 43,7 mil, quase a metade, só na última década. O local com maior número de casos de violência física segundo local de ocorrência da agressão é em sua própria residência, quase cinco vezes a quantidade que ocorre em via pública.
  • Segundo o IPEA, em um estudo chamado “Violência contra a Mulher: feminicídios no Brasil”, não houve impacto na aplicação da Lei Maria da Penha no país, ou seja, não houve redução das taxas anuais de mortalidade, comparando-se os períodos antes e depois da vigência da Lei.

Fonte: Pragmatismo Político – O machismo em números.

Agora, uma ideia mais difícil de digerir: a indústria cultural trabalha constantemente para criar conflitos entre o gênero feminino. E o que ela ganha com isso? Dinheiro, meu bem, dinheiro. A imagem de mulheres disputando pelo título de mais bonita, mais sexy, melhor no que faz, entre outros, ou (o que é pior ainda!) pela atenção do gênero masculino, é posta há tanto tempo na nossa frente que a reproduzimos sem pensar. O mercado de filmes hollywoodiano exemplifica essa questão:

filmes

Em sequência: Meninas Malvadas, Noivas em Guerra, Você de Novo, De Repente 30, Histórias Cruzadas e Garota Infernal.

O que esses filmes têm em comum? Todos eles retratam em algum momento uma situação de conflito entre garotas, e o motivo sempre se dá por méritos estabelecidos por terceiros. Por exemplo, no filme Meninas Malvadas, é visível que as protagonistas têm muito em comum e inclusive mantém um laço de amizade. Porém, devido a interpelações exteriores (como os outros alunos do colégio, a popularidade pela qual elas zelam cuidadosamente…), vivem em um eterno campo minado, onde não podem confiar uma na outra.

Você já deve ter dito ou escutado alguém dizer: “prefiro ter amigos homens, pois mulheres são falsas”, “fulaninho gosta dela porque ela é falsa”, ou pior, garotas desmerecendo seu próprio gênero ao afirmar que “mulher deve se dar ao respeito”. Ademais, também vimos artistas femininas repetindo os mesmos jargões em suas letras:

“Eu esperei por longos 8 meses, ela finalmente o libertou. Eu disse a ele que eu não posso mentir, que ele era o único para mim. Duas semanas e nós pegamos fogo, ela tirou isso de mim, mas eu estou com o maior sorriso na cara…”

Misery Business – Paramore

“Mas ela usa salto alto, eu uso tênis. Ela é capitã de líderes de torcida, eu estou na arquibancada. Sonhando com o dia que você irá acordar e descobrir que o que você estava procurando esteve bem aqui todo o tempo”

You Belong With Me – Taylor Swift

“Nós enviamos platina, enquanto as outras tem madeira. Essas garotas tem cabelo crespo, mas o meu cabelo é bom…”

Stupid Hoe – Nicki Minaj

E esse é apenas um arsenal de toda a reprodução de machismo dentro da nossa cultura. Isso esteve há muito tempo diante dos nossos olhos, sendo um gatilho para colocar-nos contra as que deveriam ser nossas irmãs de luta. O patriarcado ganha quando você não consegue sequer unir-se a outra mulher para fazer valer seus direitos, as indústrias lucram com sua insegurança quando você consome para parecer mais apresentável que sua colega. Portanto, não pense que ganha algo, seja em status ou atenção do boy magia em clima de tensão com outra mulher. Deixe-me lhe contar um segredinho: você está sendo apenas mais uma vítima de um sistema machista.

É mais comum ver mulheres apoiando indivíduos do gênero masculino que defendendo o seu próprio. Por exemplo: em um relacionamento abusivo, é necessário alertar a namorada sobre o que se passa. Em caso de fotos de garotas que caem todos os dias na internet, é fundamental avisar a vítima sobre o ocorrido e ajudar na denúncia contra o criminoso. Essas situações já aconteceram perto de você? Preferiu ajudar ou assistir confortavelmente?

A melhor maneira de conquistar espaço sendo uma minoria social é juntar-se aos seus semelhantes. É preciso superar as diferenças e sensibilizar o olhar para outras mulheres. Nós recebemos o amor que damos, é excelente poder contar com alguém do mesmo gênero para solucionar os conflitos do machismo que nos ataca todos os dias. Então, quando vir uma “irmã” (praticar o ato de chamar outra mulher assim é ótimo, viu?) fazendo coisas às quais você não gosta/não aprova… Não julgue-a! Evite disseminar seu preconceito e oprimi-la mais ainda. Ao invés disso, empondere-a! Tente conhecer seus motivos, compreender sua caminhada, pois cada um tem a sua.

Quando a sororidade pode ser um instrumento de opressão:

“Espera aí, mas antes a sororidade salvava mulheres, e agora é instrumento de opressão?”

Parece complicado de entender, mas é muito mais simples do que se imagina. A ideia de unir mulheres é deslumbrante e funciona na prática, porém, não quando o termo é utilizado para silenciar a fala de outra mulher. Vamos utilizar um exemplo:

Ana e Patrícia são militantes do movimento feminista e seguindo o conceito da sororidade, fazem-se unidas para lutar contra o machismo que atinge ambas. Porém, há um adendo: Ana é negra, lésbica e moradora de periferia, enquanto Patrícia é branca, hétero e acomoda-se em um aconchegante condomínio. Logo, suas pautas dentro do movimento são diferentes. Enquanto Patrícia lida com questões a respeito do machismo, Ana arca com isso, além de problemas raciais, de classe e homofobia. Patrícia têm conflitos com o gênero masculino, enquanto Ana é oprimida por homens e mulheres, de diversas formas. Quando manifesta sua insatisfação por sofrer preconceito de mulheres homofóbicas, racistas e elitistas, é obrigada a ouvir: “por que está criticando outra mulher? Cadê a sororidade?”

Mesmo fazendo parte de um movimento só, mulheres sofrem diferentes tipos de opressão. Para isso, há apenas um preceito simples: não dite regras sobre o que você não tem vivência. Se você não é negra, não fale sobre racismo. Se você não faz parte da comunidade lgbt, não fale sobre homofobia. Como mulher, pode apoiar todas essas lutas e dar voz às suas protagonistas, mas ao querer impor sua opinião, estará roubando o espaço de alguém que precisa dele.

Não é errado apoiar-se à outra mulher, mesmo que não seja sua amiga/parente. Para tanto, implantaremos um mandamento: “Amarás a tua próxima como a ti mesma”.


Sarah Santos.

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2 comentários em “Vamos conversar sobre SORORIDADE?

  1. É tão bom ver como estamos nos espalhando pelo mundo ❤
    Estava no grupo de divulgação procurando blogs legais para começar a seguir e ter inspiração para o meu e achei o seu. Cliquei num texto seu (que por sinal amei) e nas postagens relacionas me deparei com esta! Adorei! Temos que espalhar o amor entre as irmãs ❤

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