Sublime Desastre

texto-comportamento

Para ouvir: Fidelity – Regina Spektor


Guardei em mim todos aqueles beijos. As declarações, os presentes, as surpresas no meio do dia. Também me lembro do seu jeito, viu? Do seu olho esquerdo meio torto, do barulhinho que sua garganta faz no final de uma gargalhada, da sua indecisão e da maneira como conta a mesma coisa várias vezes, só para ter certeza de que todos ouviram. Seu sarcasmo constante e voz rouca também marcam presença nas minhas memórias vez ou outra.

Eu estou bem, juro! Me culpei, me questionei, dei voltas e voltas. Mas meu sorriso é ensolarado, como sempre! Adoraria compartilhar com você tudo o que aprendi nessa jornada, os livros que li e meus planos para o fim do ano. Queria te contar sobre minhas aflições cotidianas e pequenas alegrias no fim do dia, mas sei que não está mais disponível. E respeito. A “pequena” cresceu rápido demais, e foi obrigada a isso quando tornou-se uma trovadora solitária. Testei a força do meu pensamento e foi tão efetivo, que por um momento achei ter encontrado a plenitude. Mas não… É apenas mais uma das fases que a efemeridade da vida me permite viver.

Apaguei toda minha playlist e os arquivos do celular. Esforcei-me arduamente para não ver nada que trouxesse chuva para os meus olhos e cumpri com sucesso a missão. Nunca mais ouvi Ed Sheeran ou John Legend, mas All of Me tocou no rádio e isso lembrou quando dividia-se entre segurar minha mão e trocar de marcha enquanto dirigia. Dia desses meu portão fez barulho e isso lembrou quando apareceu na minha casa no meio da madrugada. Quando passei brilho labial da última vez, recordei-me do quanto você gostava do gosto de tutti-frutti quando me beijava, e que havia o comprado especialmente para lhe agradar, devido suas reclamações das manchas de batom que eu deixava. Fotografei em um lugar onde estivemos certa vez, e por uma fração de segundos fechei os olhos e pude sentir a forma como minha cabeça encaixava-se perfeitamente no seu peito, enquanto seu perfume aquecia meu coração.

Me desculpe, mais uma vez, pelas palavras cortantes que causaram esse abismo. Era um coração partido falando, e não todo o conjunto… É irônico dizer que foi justamente o medo excessivo de perder que lhe fez ir embora. Juro que adoraria me desfazer de todas essas defesas que tenho usado! Mas ainda estou aprendendo. Você era um furacão, e eu uma forte tempestade, com impacto o suficiente para por uma cidade em cinzas.  No fim, fomos um doce acidente.


Atenciosamente, Sarah Santos.

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