Epifanias da viagem que mudou minha vida

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Felizmente, tenho a sorte da minha vida acadêmica e trabalho envolverem a coisa que mais gosto de fazer: viajar. Conhecer outras culturas, respirar ares diferentes e aquela gostosa sensação de liberdade me encantam. Fui convidada pelo ONG WCS (Wildlife Conservation Society – Associação de Conservação da Vida Selvagem) para cobrir e documentar em vídeo o trabalho do Instituto Quinta do Sol, um programa de realizado por biólogos que defendem o meio ambiente de Mato Grosso do Sul. De primeira, fiquei assustada com a responsabilidade que teria… Afinal, criar um vídeo institucional é tarefa para profissionais. Mas resolvi encarar o desafio! E isso gerou uma das maiores aventuras da minha vida. Acompanhem alguns dos momentos mais bacanas dessa experiência!


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O Instituto Quinta do Sol trabalha procurando formas de facilitar a vida dos pequenos e grandes fazendeiros do local, propondo estratégias práticas de aumentar a produção na agricultura e criação de animais. Além disso, cuida da preservação de alguns rios, fazendo medição e conscientizando a população. Também, faz captura de queixadas (porcos do mato) para supervisão, como um modo de estudá-los para preservação. O primeiro desafio para mim seria ficar alguns dias sem qualquer sinal. Parece bobo, mas teria que superar um vício idiota de checar o WhatsApp o tempo todo, logar no Facebook todos os dias e estar conectada com o mundo 24 horas por dia.

Fizemos visitação por algumas fazendas locais, e em conversa com os proprietários do lugar, conhecíamos mais de seu cotidiano. Até pasmar com algo: em determinada parte do estado, os agricultores são prejudicados pela falta de água. “Falta de água?” – Pensei comigo mesma. Talvez seja ignorância da minha parte, mas não imaginava seca em um estado tão rico em recursos naturais. As grandes extensões de terra escondiam detalhes que nunca tinha visto antes. Uma pequena flor, uma fruta peculiar… Tudo que sempre esteve perto de mim, mas eu não conhecia por morar na cidade.

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Fiquei alojada em um adorável quartinho chamado “João de Barro” (como podem ver na fotografia acima). Eu dormiria sozinha, e até então, não havia problemas nisso. Porém, quem me conhece sabe da minha fobia com trovões, raios e relâmpagos. Na segunda noite na estância, para o meu azar (ou sorte?), houve uma forte tempestade. Sempre tive reações quando me deparava com o meu maior medo, mas em todas elas estava acompanhada por gente que sabia da minha fobia. Pela primeira vez, eu estava completamente sozinha. Como parte do quarto era aberto, entrava água e havia intervenção das luzes dos relâmpagos. Não tinha possibilidade de sair do quarto para ir até os outros alojamentos, eu não podia contar com ninguém ali.

Fui obrigada a manter a calma e tomar o controle da situação. E nisso, notei que nós só somos realmente fortes quando essa é nossa única opção. Eu sempre me deixei levar pela minha fobia por nunca ter sido obrigada a enfrentá-la. Na manhã daquele dia, acordei com a mala encharcada, mas me sentia diferente. Um diferente bom, um diferente que me revigorava! Poderia dizer que fui dormir menina e acordei mulher… Autossuficiência é algo que não tem preço.

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Também fomos fazer armadilhas para caçar queixadas, e infelizmente não conseguimos encontrar nenhum durante o tempo que eu fiquei lá. Mas a parte mais gostosa para mim foi fazer medição de rios! Como a menor, mais nova, com menos peso e força física do grupo, imaginei que fosse difícil ir contra as correntezas. Que nada! A equipe era bastante unida, e no fim foi divertido… Aprendi que quando você passa pela correnteza dando risada, ela se torna mais leve. Perdão, mas era impossível não se sentir metafórico e reflexivo em um dos lugares mais lindos que já visitei.

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Além disso, visitei montanhas e sinais hieróglifos nas paredes das cavernas que entrei. Andei kilômetros na traseira da caminhonete e avistar aquelas paisagens de cima com vento batendo no rosto foi uma das melhores sensações que já experimentei!

Eu passei dias sem maquiagem e sem me importar se meus cachinhos estavam em seus devidos lugares. Eu sequer lembrava que tinha celular e responsabilidades fora dali. Aprendi a lavar roupa no tanque, nadei em cachoeira, provei bebidas novas, e conheci pessoas incríveis. Uma dupla de jornalistas cariocas que me ensinaram muito sobre a profissão, um grupo de estudantes de biologia que viajava longe a procura de anfíbios do cerrado, e cada uma daquelas pessoas tinha uma história diferente (onde levei um pouquinho de cada dentro de mim).

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Acima de tudo, aprendi que a vida é muito mais do que o que a gente vive e pode ver… Mas você nunca vai saber se não desafiar-se a coisas novas. Voltei para casa com marcas por todo o corpo, uma câmera cheia de fotografias e totalmente diferente do que fui, com uma nova perspectiva. Sair da minha casquinha e encarar outra realidade sozinha me fez amadurecer. Conhecer mais da minha própria cultura foi incrível. Descobri que viajar é o que eu quero pro meu futuro, mesmo que tenha que abrir mão de algumas coisas por isso. Com certeza, pretendo voltar na Quinta do Sol e reviver alguns desses momentos.

E recomendo a visita!

“Não adianta escrever meu nome numa pedra
Pois esta pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar

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Um comentário em “Epifanias da viagem que mudou minha vida

  1. Sarah, minha linda, que lindo a maneira como compartilha essa história, e a gente nem percebia que estávamos fazendo tudo isso.
    Obrigada por passar esses dias com a gente

    Curtir

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