Menina mulher

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Ela colecionava cicatrizes. Algumas maiores, outras pequenininhas. Algumas imperceptíveis, outras, exibidas por ela como um troféu, em meio há tantos decotes e exibição. Algumas, ainda jorravam sangue de vez em quando… Mas ela se orgulhava de todas. Sadomasoquismo? Não. Era apenas mais uma das provas do quanto ela era forte. Mas eu não vou tentar te explicar isso, você nunca entenderia…

Ela problematiza. Senta-se na carteira da frente e questiona Deus e o mundo. Olha no olho, empina o nariz e briga com força pelo que acredita. Muitos não entendem sua necessidade de mudar o mundo e ser politicamente correta, mas eu não vou tentar te explicar isso… Você nunca entenderia!

Ela é metade estrada, metade história, metade sonhos.  Vive no mundo da lua, mas com os pés no chão. Gosta das coisas difíceis, das utopias, dos recordes, daquilo que ninguém nunca conseguiu antes. Seja por orgulho ou satisfação, ela é boa em acreditar e realizar o impossível. Mas eu não vou tentar te explicar isso, você nunca entenderia.

Ela ama intensamente e isso é inevitável. Tem a alma nua, olhos de manteiga derretida e coração de cetim. Ela assiste pessoas indo e vindo de sua vida, como se fosse uma rodoviária… E está cansada de despedidas. Mas mesmo assim, não desiste de amar intensamente. E eu poderia tentar te explicar isso, mas você nunca entenderia… 

Aos poucos, a menininha está amadurecendo. Trocando as piscadelas ingênuas por um olhar fatal e desconfiado, as roupas coloridas por peças muito acima do joelho, as sapatilhas por saltos que lhe oferecem um tamanho que ela nunca teve. Agora, ela fala mais baixo, porém com autoridade. Senta-se com as pernas cruzadas, deixou a indecisão de lado e tornou-se moça de atitude. Mas mesmo assim, lá no fundo, uma moleca de pés descalços grita para se libertar. Isso é difícil demais para ser explicado, e você nunca entenderia…

Ela não é tão diferente das outras meninas/mulheres que conhece, ganhando e perdendo, descobrindo-se, conquistando o mundo com seu jeitinho. Na verdade, é igualzinha, só muda a etiqueta. É realmente uma pena que eu não possa te explicar isso, já que você nunca entenderia.

A Poem, A Day: primeiro dia – Autorretrato

apoemaday

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