Dezessete

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A vida é um espelho, fornece com exatidão cada imagem que você reproduz. E eu precisei de dezessete anos para finalmente entender isso… O que não é ruim, afinal, muita gente cruza a linha de chegada e dá seu último suspiro sem saber disso. Mas carreguei um espelho pesado por toda minha estrada, dividindo com ele minha luz. Ele captou minuciosamente cada uma das minhas personalidades… Porque esse negócio de ser uma pessoa só a vida toda é chato demais! Eu prefiro passar o tempo todo me conhecendo, eu prefiro me surpreender, eu prefiro a novidade.

Com seis meses, aprendi a falar. Com seis anos, comecei a escrever. Com doze anos, me frustrei ao saber que não passaria de 1,58m. Com treze anos, descobri que os garotos olhariam para mim com malícia às vezes. Com quatorze anos, conheci o amor. Com dezessete, decidi a carreira que quero ter. E agora, com quase dezoito, adoraria voltar alguns anos atrás para tirar mais experiências ainda dessas datas.

Não é a toa que existe o dezessete entre o dezesseis e o dezoito. Esse é o final da ponte, a parte mais íngreme, onde você precisa caminhar com cuidado e segurar firme nas beiradas para não escorregar. E não pense que a recompensa é a maioridade! No fundo todos nós sabemos que nada vai mudar… Com dezoito anos, você fará as mesmas coisas que faria antes, só que dentro da lei.

Mas volta uma casa aí… Ou melhor, um ano. Dezessete é a idade do erro, de se perder um milhão de vezes só para se achar depois. E nesse jogo de esconde-esconde, você se conhece e se arma para o que lhe aguarda em frente.  Uma hora você chega lá, isso eu lhe garanto! Com alguns arranhões e machucados, mas ainda assim, em pé.

Durante toda essa viagem vi pessoas nascerem e morrerem, amei e me senti amada, fui cuidada por muitos e dona do meu nariz. Hoje, tenho a sorte de chegar até aqui com o coração limpo, sem rancores, sem coisas mal resolvidas. Talvez isso faça de mim mulher, mas ainda me sinto uma criança. Com menos tempo, mas ainda sim… Apenas uma criancinha.

Uma piscada e o calendário foi trocado dezoito vezes. Mais alguns passos e já é outubro. Opa, quase meia noite! E esse mesmo ritual será seguido dezenas de vezes até que se canse e vá dormir… No fim, o resultado é o mesmo: algumas vezes você triunfa, outras você aprende.

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