Outubro rosa: vamos falar de superação?

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Todo ano o mês de Outubro é conhecido como: Outubro Rosa, uma campanha de conscientização para o câncer de mama. O movimento é muito importante, já que a doença não tem prevenção, tornando necessário o diagnóstico precoce. É muito importante pensar sobre o assunto e repassar para todas as mulheres terem conhecimento. Como forma de compartilhar a campanha aqui, resolvi por em pauta um assunto que tem a ver com a temática e é comum ao cotidiano dos leitores: superação.

Superar é a arte de olhar bem nos olhos da sua dificuldade e dizer: “eu sou maior que você”. E embora seja um processo doloroso, é algo pelo qual todo mundo passa uma vez ou outra. Afinal, toda tristeza é um intervalo entre duas alegrias. Mas a parte boa é que de toda superação se pode tirar um ensinamento. Se hoje sou sábia, é porque já passei por muita coisa. Se hoje vivo sorridente, é porque já chorei demais. Os tombos, traumas e decepções me fizeram uma pessoa melhor.

Nasci com problemas cardíacos. Passei toda a minha infância morando no Paraná em busca de um tratamento adequado para a cardiopatia que era severa. Aos 7 anos, fui fazer exame de rotina e a médica surpreendeu meus pais com a notícia de que a frequência do meu coração chegava apenas a 40 batimentos por minuto, sendo a média de 71 a 73. Além disso, havia sopro em nível avançado e duas válvulas tortas. A conversa era de que eu tinha apenas mais alguns meses de vida, e a cirurgia seria de 25% de chances de sucesso. Nenhum cirurgião queria aceitar um caso como aquele, mas minha cardiologista interviu e exigiu que fosse feita uma operação, mesmo que muito arriscada. Como podem ver, eu sobrevivi… E com isso, aprendi a não ter medo da morte.

Quando menor, tinha um relacionamento singular com meu pai. Nós éramos carne e unha, iguais na aparência e personalidade. Ele era meu heroi, a idealização do ser humano que eu gostaria de ser. O casamento com minha mãe parecia ser excelente. Eles quase nunca brigavam, decidiam e conquistavam tudo juntos. Quando sem muita explicação, meu pai conheceu uma mulher mais jovem e foi embora sem olhar para trás, deixando meu coração partido e a cabeça confusa. Perguntava-me todos os dias porque ele me abandonou e quem era aquele cara que me cativou por anos para me despedaçar assim, sem precedentes. Com isso, aprendi que o caráter do ser humano é surpreendente e  acima de tudo, aprendi a perdoar. Hoje temos um relacionamento pacífico.

No ensino fundamental me matriculei em uma escola de periferia, onde os jovens tinham histórias diferentes. Mesmo que ainda novos, muitos deles já carregavam marcas da crueldade do mundo. Como não frequentava sempre as aulas devido meu tratamento cardíaco, fiquei em uma classe de alunos mais velhos, com dificuldade de aprendizado. Aquele foi um ano conturbado. Eu passei os intervalos sozinha, ganhei apelidos e apanhei das garotas algumas vezes. Eles caçoavam do meu tamanho, da minha aparência, das minhas deficiências. A coordenação do colégio era obsoleta a tudo que acontecia, e eu não queria preocupar minha mãe com algo assim. Passei meses tentando impressioná-los, mas depois de um tempo já não queria fazer parte da turma deles, ou ser parecida com eles. Vivi aquela fase em silêncio e no ano seguinte, pedi para mudar de classe. Fui a única aluna daquela turma a concluir o ensino médio e entrar para uma faculdade. Com isso, aprendi que o mundo dá voltas.

Cada um de nós tem sua história, carrega seu fardo, mata seus próprios leões diariamente. E no fim, essa é a coisa mais bonita da vida, quando você busca a melhor versão de si mesmo, escolhe ser maior que as turbulências e superior a quem quer te ver pra baixo. Você não pode evitar uma tribulação, mas pode escolher como vai passar por ela.

Ela só ficou mais forte
Ela morde mais forte e só morre lutando

 


Atenciosamente, Sarah Santos.

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