A esperança em tempos de lama

lama

Mariana era uma moça bonita de sorriso exuberante. Mostrava-se tradicional, dona de grandes histórias, exímia sabedoria, carregava em si um arsenal de memórias encantador. Da alegria do carnaval à toda sua referência cristã, ela chega, faz e acontece. Mas encontrou a lama. Lama essa que levou o verde, o amarelo e o azul também… Varreu toda sua beleza e deixou o breu, o caos.

Mariana era livre, mas privatizou. Mariana teve sua riqueza saqueada. Perdeu as roupas, a dignidade, a identidade. A mídia? Virou as costas, foi tão suja quanto a lama que lhe tomou conta, rendeu-se à mediocridade da censura. Os responsáveis pela menina mulher a largaram nas mãos de homens maus que pouco davam importância para sua inocência. Pobres pais, pobre país!

A menina Mariana estava nua e seu sangue era marrom. Os vizinhos comentavam em burburinhos sobre o que havia acontecido com ela, pois muito pouco se falava sobre isso. Mariana precisava de ajuda, que lhes dessem vida novamente, ou restituíssem o pouco que sobrou.

Mas em Mariana, até no caos se acha flor. Até no obscuro se acha amor. Ela estava machucada, mas não sozinha. Estava devastada, mas era assistida por uma plateia que se compadecia de sua dor. Ela era a protagonista de um drama, mas os holofotes estavam todos sob seu rosto. E enquanto houvesse um pouco de bondade, um grão de fé e humanidade, a menina Mariana continuará viva.


Sarah Santos

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