Eu sou plural, meu bem

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Você pode ler esse texto ouvindo: I’m a Bitch – Alanis Morissette

Nunca gostei muito de adjetivações. Junto delas vêm os rótulos, e junto dos rótulos, as limitações. E deixe eu lhe contar um segredo: o ser humano não foi feito para ser limitado. Pelo contrário, somos complexos demais para caber em um pacote, para se encaixar a uma definição. O indivíduo aprisionado sempre explode uma hora ou outra, é dito e feito.

Mulheres sofrem com isso. Estão convidativamente sujeitas a fazer parte de uma “casinha”, a entrar em um buraco de demarcação, a embalar-se em um embrulho que a diga quem é. Ou é santa, ou é puta. Ou é burra, ou é nerd. Ou é independente, ou nasceu para o casamento. Mas, na boa? Eu não quero pertencer, não quero estar apropriada a nada.

O sexo feminino é labiríntico. Enigmático. Místico. E precisa estar livre para ser o que quiser. O que as tornam maravilhosas é o conjunto de características que as complementam. Mulheres podem ser frias e meigas, podem ser loucas e comportadas, podem ser o que lhes der na telha… E mais um pouco.

Toda senhora guarda dentro de si sua visão jovial, descontraída e descompassada. A velhice é gratificante, mas a juventude só vai embora quando deixamos de existir. E toda garotinha carrega o jeito de andar, de mexer no cabelo ou de gesticular de alguma senhora que têm como exemplo… Porque todos precisamos de um mentor.

Toda mocinha conservadora tem seu lado louca, que anseia por viver experiências novas e diferentes. Pois por mais monótona e repleta de certezas que seja a vida de uma garota, ninguém é puro o tempo todo. Ninguém é uma coisa só. Enquanto isso, até as mais livres sentem falta de ter um lugar estável para voltar no fim do dia.

Mulher, não tente definir sua existência, apenas seja. Para quê ser singular, se você pode ser plural?


Sarah Santos

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8 comentários em “Eu sou plural, meu bem

  1. Concordo plenamente, para que sermos aquilo que nos foi dito? Sejamos quem somos com todos os nossos adjetivos e com toda nossa personalidade forte, somos bem mais do que pensam, bem mais do que nos rotulam, somos aquilo que quisermos ser!

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  2. Viva nossas pluraridades e complexidades.
    Concordo demais com esse texto.
    E sobretudo as definições sexistas, determinadas por concepções de gênero patriarcalizadas, tendem a nos diminuir e limitar demais. Que quebremos cada vez mais as barreiras da existência para tão somente sermos, o que quisermos!

    Beijão

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