Precisamos conversar sobre a cultura do estupro

EXCLUSIVO / USP / DEPOIMENTO

Na última quinta-feira (26), uma adolescente de 16 anos foi vítima de um estupro coletivo no Rio de Janeiro, sendo realizado por cerca de 30 homens, filmado e compartilhado sem o consentimento dela nas redes sociais, enquanto a jovem era exposta desacordada. No Facebook, milhares de mensagens em apoio a vítima, o mesmo cenário acontece no Twitter e aplicativos de mensagens, onde a pauta é levantada.

O ato chocou a sociedade por sua gravidade, e também proporcionou um momento de reflexão para homens e mulheres. Não é mais uma questão que diz respeito ao feminismo ou às mulheres em geral, o caso chamou atenção de qualquer indivíduo que preze pela dignidade humana. Essa que foi roubada no momento em que a menina teve o corpo invadido sem sua autorização.

Mas, por mais desumano e bárbaro que pareça, o acontecimento não é um fato isolado. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada em nosso país. Também, de acordo com o Datafolha, 90% das mulheres brasileiras têm medo de ser vítima de agressão sexual. A instauração desse temor não é de hoje, e provém de uma circunstância muito maior: a cultura do estupro.

Há quem diga que ela não existe, mas nada mais justifica o medo das mulheres de sair na rua, de vestir-se como bem entender, de confiar no próximo. Nada justifica a culpabilização da vítima e os comentários retrógrados direcionados às meninas que sofrem abuso. Até que se prove o contrário ou se faça algo para mudar a realidade, essa cultura é viva e responsável pelos assédios sexuais que infelizmente, acontecem constantemente.

Vemos a banalização do estupro em rede nacional, vemos canções de sertanejo e funk fazendo apologia. Recentemente, vimos o encontro do ministro da Educação Mendonça Filho (DEM) com o ator Alexandre Frota, que pediu o fim da “doutrinação de esquerda” nas escolas; o mesmo que diversas vezes fez declarações machistas, fazendo referência ao assédio sexual. Também tivemos um pedófilo em um Reality Show na maior emissora do país, encoberto pela mesma, tivemos sua acusadora chamada de louca.

Isso é o que podemos observar ao ligar a televisão, ao acessar a Internet. Ainda podemos incluir quando voltamos para casa sozinhas, aflitas com a possibilidade de não chegar. Podemos incluir todos os inconvenientes que já ouvimos de homens, sejam eles nossos amigos ou não. E, sempre, somos ensinadas por nossos pais a nos proteger para que o pior não aconteça. Será que garotos são ensinados a não estuprar?

Se essa cultura existe, devemos lutar contra ela, porque a cultura também evolui! Ser mulher é um ato de resistência, vestir-se como se sente bem é um ato de resistência, caminhar sozinha é um ato de resistência. Denunciar casos de exposição, proteger garotas de situações de abuso e conversar sobre isso com pai, namorado, amigos e demais conhecidos são atos de resistência e também podem ser praticados por homens.

Homens e mulheres podem combater as injustiças de gênero diariamente, enxergando sua realidade sob uma ótica feminista e tentando transformá-la no cotidiano.

Sarah Santos

 

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